Stylista

Dona de um estilo minimalista e extremamente elegante, a personal stylist e fashion adviser que estudou na mesma escola do Project Runaway confessa ter sabido “improvisar” na hora de criar o seu percurso. Se desde cedo sempre foi “maluquinha por trapos”, quando as amigas queriam ser educadoras de infância, a Omniagirl que já sonhava em vestir e criar, rapidamente percebeu como é que a comunicação visual e a imagem que temos de nós assumem um papel tão determinante em tudo. De olhar crítico e incisivo, rigorosa como o seu cabelo impecavelmente cortado a direito, Maria Guedes ensinou às portuguesas o que fazer quando se tem “tanta roupa e nada para vestir”. Hoje lançou mais uma colecção da OMNIA que estará à venda no Winter Market e falou connosco sobre essa e sobre tantas outras coisas!

Fala-nos um bocadinho de ti e do teu percurso.

Sou uma maluquinha por “trapos” desde que me lembro de existir; passei uma boa parte da minha infância a desenhar silhuetas de moda e a imaginar roupas e acessórios. Enquanto a maior parte das miúdas queria ser “educadora de infância” eu já sabia que queria ser estilista. Cresci, deixei os desenhos de lado (comecei a gostar mais de rapazes e festas!) e quando chegou a hora de escolher a faculdade percebi que não teria grande futuro em Portugal como estilista (na altura o cenário da Moda nacional era muito reduzido e conceptual). Escolhi Marketing e Publicidade e trabalhei como Gestora de Projecto em duas agências de Publicidade (Ogilvy e FCB) na área de Branding. Fascina-me a comunicação visual; o que faz um produto sobressair numa prateleira ou anúncio? O que o leva a ser escolhido? O que dizem os símbolos e as cores da sua embalagem de forma tão persuasiva?! O poder da imagem intriga-me e atrai-me.

Aos 28 anos (já velhota para este tipo de aventura!) decidi não desistir do meu sonho de viver um bocadinho “o mundo da Moda”. Inscrevi-me no Fashion Design Associate Degree – um programa complementar desenvolvido para pessoas com cursos superiores em áreas não relacionadas com Moda – da Parsons, em Nova Iorque (a Harvard da Moda, como lhe chamam!). O curso tinha a duração de dois anos com a possibilidade de, com carga intensiva, ser feito em apenas um (opção fast track). Eu aceitei o desafio e… foi uma das melhores experiências da minha vida! Aprendi um milhão de coisas, conheci centenas de pessoas, tive acesso a um mundo de sonho (festas com celebridades que admirava, fittings em estúdio com cantoras e actrizes, andar a comprar tecidos com o cartão de crédito do Puff Daddy – na altura accionista principal do designer Zac Posen com quem estagiei – estar no backstage dos desfiles e – emoção! – ter roupas costuradas por mim a desfilar na NYFW). Foi muita emoção, muita festa, muito esforço, muito trabalho (na escola, nos estágios e num café onde trabalhava!) e muitas amizades que ainda hoje mantenho e com quem estou todos os anos. De rastos e com a certeza que o meu futuro – mais familiar, mais terra-a-terra, mais “qualidade de vida” – seria em Portugal, voltei um ano e meio depois e, face ao desemprego, acabei por ir improvisando o meu percurso.

Comecei por desenhar vestidos para amigas, depois para clientes, depois para noivas, fiz personal styling e shopping, workshops de estilo, rubricas em programas televisão e, em 2009 lancei o livro Tanta Roupa e Nada para Vestir em paralelo com o seu complemento interactivo e dinâmico: o Blog Stylista!

Desde aí, continuo a improvisar e a aprender, e a divertir-me.

Quando chegaste à OMNIA trouxeste uma lufada de ar fresco e personalizaste o lado trendy da marca. O que te levou a iniciar esta parceria?

Percebi que a OMNIA era uma marca com um potencial enorme e com uma qualidade de execução fora de série. Percebi que, em conjunto, podíamos dar um passo em frente; eu podia ajudar a OMNIA a adaptar a sua oferta às tendências do mercado e a OMNIA podia dar-me o privilégio de trabalhar nesta área de forma séria e profissional. Foi um passo muito importante para mim!

És, portanto, uma Omniagirl?

Claro!

Qual a inspiração para a nova colecção OMNIA? Explica-nos o que esteve na base do teu processo criativo.

A nova colecção Maria Guedes x OMNIA chama-se SERIE II porque é um prolongamento da inspiração mais abstracta presente na colecção Aztec. A minha intenção era criar uma sub-linha que complementasse a Aztec mas o resultado acabou por ficar bastante forte (na minha opinião). É uma colecção que nasceu como um complemento mas que resulta muito bem sozinha. Sinto que as mulheres procuram soluções que permitam conjugar as peças que já têm. Não faz sentido ter que comprar uma colecção inteira de jóias só para conseguir um resultado harmonioso entre os diferentes fios, anéis, brincos e pulseiras. Gosto da ideia de complemento (porque é sempre bom incorporar uma novidade!) e da ideia de, com o tal acrescento, se conseguir dar um novo twist às peças antigas. Quero usar a minha colecção nova e quero continuar a usar as peças das minhas colecções anteriores! Esta colecção SERIE II é uma espécie de ‘cola’ que permite essa simultaneidade.

O CCB – com as suas paredes em tonalidades rosa – inspirou-me na escolha do banho ouro-rosa em alguns elementos destas peças. Nunca tinha desenvolvido uma colecção com este acabamento e adoro o resultado!

Já desenvolveu algumas colecções com a OMNIA, todas bem sucedidas, e construiu uma relação forte com a marca. O que podemos esperar para o futuro?

Uma evolução consistente, espero eu. (risos)

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